domingo, 31 de julho de 2011

Apresentação do Blog da turma de Análise do Discurso - Letras UNIME



Blog de Análise do Discurso (Entre) Ditos e Não-Ditos



O silêncio como horizonte, como iminência de sentido [...] hás outras formas de silêncio que atravessam as palavras, que falam por elas, que as calam. [...] Para dizer é preciso não-dizer. (Orlandi,2002, p.160).



É exatamente para dizer a partir do não-dizer que surge o nosso blog intitulado (Entre) ditos e não ditos. O blog surgiu através da proposta e orientação da professora Ana Lúcia Gomes da Silva, foi criado com a colaboração de toda a turma e é uma atividade avaliativa da disciplina Análise do Discurso. Este blog objetiva analisar a partir dos estudos da Análise do Discurso, os (Entre) Ditos e Não-ditos em diversos gêneros textuais que circulam na sociedade e, consequentemente, o poder que o discurso tem sobre o sujeito, sujeito este descentrado e heterogêneo. Além disso, pretendemos analisar as formações discursivas e a polifonia, ou seja, as diversas vozes apresentadas nos discursos e seus efeitos de sentidos.

Construímos este blog ao longo do semestre 2011.1 na disciplina Análise do Discurso do curso de Letras com habilitação em Inglês e Literaturas da União Metropolitana de Educação e Cultura - UNIME, proposto pela docente Ana Lúcia Gomes da Silva. Ao longo do semestre buscamos embasamento teórico para ajudar-nos na construção e (des)construções dos diversos discursos, de modo a operar com os conceitos-chave da AD.

 

O blog traz as seguintes seções e temas, a saber:



 O grupo 1, composto por Nilda Sandes, Paula Sousa e Rosana Santos, ficou responsável por analisar poemas e poesias a luz da AD; o grupo 2, composto por Kátia Saraiva, Olivia Abreu e Tais, ficou responsável pela análise do outdoor a luz da AD; o grupo 3, composto por Lílian, Renata e Thamires, análise de textos jornalísticos a luz da AD.



Este blog é construído polifonicamente, tecido aos poucos com a participação de cada membro da turma e sob orientação da docente Ana Lúcia Gomes da Silva. Convidamos toda comunidade Unime, dentre outros leitores para (des)construir conosco os diversos discursos que estão impregnados nos não-ditos e, consequentemente, em nossas vidas veiculados através de imagens, textos, vídeos, mídia, etc. Informações carregadas de ideologia que muitas vezes entram em nossas casas sem que percebamos os não-ditos.

GLOSSÁRIO

Existem termos que são de extrema importância para a compreensão e análise do Discurso, termos estes, que devem estar claros para que possamos partir para a prática de análise dos textos que circulam socialmente de forma a operar com cada um deles articuladamente.


GLOSSÁRIO DE ANÁLISE DO DISCURSO



CONDIÇÕES DE PRODUÇÃO

  • São formas utilizadas para se gerar um sentido, ou seja, a organização dos elementos que constituem o texto (quem diz, a quem diz, o que diz, de que forma diz, momento do ato do discurso e momento sócio-histórico) Tudo que envolve o discurso para que possibilite o mesmo.


CONTEXTO

  • É a situação em que ocorre o discurso, o que determina o sentido do mesmo. Existem dois tipos de contexto: o contexto amplo e o contexto estrito (é o contexto do momento em que ocorre o discurso).


DISCURSO

  • Diz respeito aos valores ideológicos e sociais impressos nas palavras que são ditas e é materializado em forma de textos ditos. Todo discurso é feito a partir de outros já ditos. O discurso é polifônico e os sentidos são plurais, mas nunca parciais e sempre tem um endereçamento.


ENUNCIAÇÃO

  • É constituída pelo lugar ou posição histórica social do sujeito, sendo que a circunstância da enunciação é sempre diferente, nunca está aberta às repetições. A enunciação tem data e local determinados, é o processo.


ENUNCIADO

  • São marcas implícitas ou não, no que é dito. Posição ideológica formada através da enunciação. Este está aberto às repetições. È a marca verbal, é a partir dele que conseguimos perceber as vozes do discurso.


FALA

  • É o meio que veicula a interação entre os sujeitos, é individual e diferencia os sujeitos. É através da fala que a língua se concretiza.


FORMAÇÃO DISCURSIVA

  • É constituída por práticas discursivas que determinam as escolhas da enunciação do sujeito. Estas escolhas são baseadas numa comunidade discursiva a qual pertence o sujeito, comunidades estas que constroem ideias sobre o mundo. A formação discursiva sempre compreende a formação ideológica já que é a formação ideológica que determinará a posição do indivíduo e consequentemente a origem de seu discurso, momento em que o sujeito discursivo sai do plano do pensamento e das ideias e concretiza, através da palavra, o seu discurso.


FORMAÇÃO IDEOLÓGICA

  • É construída através da história, são atitudes e representações de um grupo discursivo no qual o mesmo defenderá seu discurso em relação ao dos outros grupos discursivos. Está ligada às ideias e pensamentos e é construída através de campos de poder de determinados grupos. É a formação ideológica que determina o que pode e o que deve ser dito ou não.


HISTORICIDADE

  • É quando ao analisar o discurso percebemos a língua na história. É a partir da historicidade que percebemos a posição do indivíduo no discurso, já que, através da memória discursiva que o indivíduo poderá posicionar-se ideologicamente concretizando essa ideologia, construída a partir da história, em discurso.


IDEOLOGIA

  • É a raiz do discurso, é o que faz com que o sujeito signifique o mundo. Constitui-se de ideias e posturas do sujeito em relação ao mundo através da história e de seu lugar na sociedade. É um meio de dominação de classes que possuem mais poder, e concretiza-se através do discurso e usa-o como ferramenta de interesses na qual cada grupo buscará adesão ao que está expondo.


LINGUAGEM

  • Para a análise do discurso a linguagem é muito mais do que um meio que as pessoas têm de se comunicar, ela também revela a posição que o sujeito discursivo ocupa na sociedade. Portanto, não deve ser tratada dissociada dos processos históricos, pois para que os sentidos sejam produzidos, faz-se necessário alguns aspectos extralingüísticos como contexto, história, ideologia, enfim, aspectos exteriores à língua.


LÍNGUA

  • É concretizada pela fala, é um sistema mais abstrato e caracteriza de determinado grupo discursivo. Na esfera discursiva, a língua é distinguida por sua opacidade e pela forma como nela interfere a sistematicidade e o imaginário, aparecendo o equívoco como elemento constitutivo da mesma. Assim, a língua é condição de possibilidade de um discurso, materialidade ao mesmo tempo lingüística e histórica, produto social que resulta de um trabalho com a linguagem no qual coincidem o histórico e o social.


LINGUÍSTICA

  • É a ciência que estuda as possibilidades da língua e da fala na dualidade de todos os seus aspectos: formal, subjetivo, sociais e históricos, estuda a língua em uso de forma empírica, ou seja, com neutralidade.


MATERIALISMO HISTÓRICO DIALÉTICO

  • Estuda o sujeito assujeitado, sujeito este, atravessado pela ideologia, constituído pela linguagem e que assume vários papéis na sociedade.


POLIFONIA

  • São as várias vozes implícitas no discurso. Nele estão presentes diversas vozes vindas de diversos espaços sociais.


PSICANÁLISE

  • É a ciência que estuda as representações inconscientes do homem, estuda o sujeito que acredita ser uno, sujeito inconsciente e descentrado.


SENTIDOS

  • São os efeitos causados pela enunciação dependendo de quem escuta ou de quem pronuncia e de seu lugar sócio ideológico.


SUJEITO

  • É individual e heterogêneo, dividido entre o consciente e inconsciente, é o objeto da linguagem no qual sua voz revela o lugar em que ocupa.


TEXTO

  • É uma unidade utilizada para materializar os discursos e apesar de possuir começo, meio e fim é inacabado. Na AD é um objeto simbólico e fato discursivo.



CONSIDERAÇÕES FINAIS


Diante da análise do conceito dos vocábulos apresentados neste trabalho, percebe-se o quanto cada uma das palavras apresentadas no glossário ao mesmo tempo em que são complementares são decisivas para a compreensão da disciplina Análise do Discurso.
Um analista do discurso deve conhecer cada uma dessas palavras e saber relacioná-las, sem o conhecimento das mesmas e sem repertório de leitura não há como fazer uma boa análise dos discursos que circulam no meio social.




                                                                                                      

Autoras:
Kátia Saraiva
Lílian Mota
Nilda Sandes
Olívia Abreu
Paula Sousa
Renata Rozas
Rosana dos Santos
Taís Barbara
Thamires Nascimento

Análise à luz da AD

 Fonte: Revista da Faced, Salvador, n14, p. 39-53, jul./dez. 2008.

  

O texto apresentado pela Keds, uma empresa Americana, tem como objetivo vender tênis no mês das mães e traz elementos que seduzem as filhas a comprarem o tênis para a sua mãe.
O título em destaque "tal filha, tal mãe" mostra a polifonia dos discursos e dialoga com o discurso que diz "tal pai, tal filho", tendo aí a interdiscursividade. Como se aproxima do dia das mães e a empresa tem o objetivo de vender, cria esse título invertendo os papéis, mostrando com isso implicitamente que a mulher, ou melhor, a mãe não é mais ultrapassada, é moderna e jovial como a filha. O tênis é um elemento utilizado para mostrar o contraste da mulher de antes, como é o caso da mãe (que talvez usasse sandálias, sapatos, mas não tênis) e a mulher atual, que usa tênis (mais moderna, com perfil diferente da mulher de antes). O uso do tênis é um símbolo, é como um marco, assim como o uso da calça foi um marco para as mulheres.
Para fazermos essa análise precisamos ativar nossa memória discursiva para perceber por que o uso desse título, mostrando que as mães podem seguir os passos de suas filhas, sair de um tempo em que não tinha tanta liberdade como as mulheres têm agora.
Podemos subtender que, se a filha usa um tênis a mãe também usará já que "tal filha, tal mãe", e por que não dar um tênis à mãe depois dessa afirmação? O slogan invertido do dito popular, implicitamente traz para o leitor(a) que a mãe merece este carinho, atenção, prova de amor! A ideologia é o consumo, o capital...

Autora: Lílian Mota

terça-feira, 21 de junho de 2011

Outdoor – Propaganda da UNIMED





A publicidade apresenta um discurso mercadológico, com fins comerciais, o produto é vendido de forma sutil. Os benefícios são colocados de forma a serem mais percebidos e valorizados. As escolhas lexicais “cobertura” “você” e “precisa” são destacados enquanto as informações sobre os serviços, apresentados à esquerda inferior da propaganda, são apresentadas de forma discreta.


O outdoor analisado apresenta uma propaganda comercial do plano de saúde UNIMED. Observamos a mensagem destacada no texto escrito “cobertura que você precisa”, demonstra que só o plano de saúde Unimed oferece. Os aspectos não ditos, como o fundo do papel que traz a imagem de uma parede de bloco remetendo ao público uma mensagem de amparo, alicerce ou a proteção que o plano diz oferecer, quesitos, estes, bastante relevantes durante a escolha de um plano de saúde. Podemos perceber a polifonia na combinação das escolhas lexicais, os símbolos da marca e outros elementos percebidos no texto imagético - palavra “cobertura”, a imagem da garota propaganda com uma aparência saudável e segurando um guarda-chuva de cor verde, simbolizando a esperança, a abundância e ao fundo o desenho de uma parede que nos permite não só a interpretação de um plano que oferece apoio e proteção, mas também a sensação de que você se sente seguro como na sua casa. O próprio símbolo da UNIMED nos lembra um telhado ou a forma de uma casa.


Através das leituras dos não ditos percebe-se a sutileza com que a marca vende o seu produto. Há uma inversão nos papéis na relação comercial entre vendedor e consumidor. “O consumidor é quem “precisa”, esta palavra aí empregada de forma estratégica, denota um sentido impositivo, materializado: “você precisa”, colocando a marca UNIMED como a opção mais inteligente. A ideologia dos clientes, conclui-se em que ele precisa de prevenção e segurança, características que só com o plano UNIMED, ele tem.






Autoria da análise: Kátia Saraiva, Olívia Abreu, Taís de Jesus

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Tome a Bahia na sua cara






Tome a Bahia pela cara seu nativo!
no umbigo.

Seu atrevido...
Quer conforto?
Quer abrigo?
Quer retiro?

Tome o PT “pelos peito”
e receba a sua esperança
esperança incandescente
na indecência nuclear

Fique com o seu Luís Eduardo
o herói Magalhães
para sempre.
Fique com seu metrinho
de metrô
que liga superfaturamento
a financiamento eleitoral.
Vá de Ivete, o seu ferry
na baía de todos os problemas,
à deriva de gestão oficial.
Receba o seu corte de gastos
no caixa
do supermercado.

Corte o cine,
e a navalha em sua carne.
Corte o álcool,
corte o leite
e vá se drogar.

Vá se drogar!!!
seu baiano.
Passa a fome
você não come
e nem aciona a descarga.
O governo agradece a economia,
e você esmorece dia a dia.
Depois, vem sua polícia
e te mata.

Autoria : Joselito Manoel.
(Poema postado no  blog http://wwwtecendofioscomjo.blogspot.com/, em Sexta-feira 22 de Abril 2011)




A poesia “Tome a Bahia em sua cara” embora tenha um caráter de subjetividade, pois todo texto traz o estilo e percepção do autor, também, apresenta de forma objetiva sua análise sobre a cidade de Salvador. O jogo armado pelas palavras é bastante objetivo, porém, o discurso é extremamente marcado pela ironia do “eu” enunciador para o “tu”, ou seja, a quem se destina o que foi produzido pelo sujeito discursivo. Tal ironia é materializada no enunciado do verso imperativo “Tome a Bahia pela cara seu nativo!”, e para dar sentido aos não-ditos deste enunciado, faz-se necessário questionar-se: essa é a Bahia de todos nós? É a Bahia que nós queremos?


A poesia tem como temática o panorama da política baiana e indissociável a historicidade desta política os desmandos e descasos dos políticos que fazem parte desta esfera em diferentes governos da Bahia, como se referem os trechos “Tome o PT pelos peito’, “Fique com seu Luís Eduardo o herói Magalhães”, nesse último trecho o alocutário terá que acionar a sua memória discursiva, para rememorar toda a história política que envolve a família Magalhães, para que assim possa construir o sentido embutido,ou seja, implícito neste verso, acerca do poder político que esta família exerceu e ainda exerce no nosso estado. Desde o grande chefe ACM até o neto ACM Neto.Tal poder associado á política Carlista. Na qual, ACM mandava e desmandava na Bahia chegando ao absurdo de modificar o nome do Aeroporto Internacional 2 de Julho para Aeroporto Internacional Luís Eduardo Magalhães, desconsiderando a historicidade local em detrimento da eternização e valorização da imagem do seu filho morto, como afirmam os versos “ o herói Magalhães/ para sempre”


O verso citado anteriormente “Tome o PT pelos peito/” o sujeito discursivo no momento da enunciação, ou seja, no momento da fala utiliza elementos lingüísticos para dizer além dos não-ditos, esse é o PT que tanto nós queríamos? Um partido que tem por ideologia lutar pelas desigualdades sociais, favorecendo assim, melhores condições de vida para o povo. Isto realmente estar acontecendo? A população colocou este partido no poder depositando uma grande expectativa acerca de profundas mudanças no estado da Bahia, na esperança por dias melhores, como citam os versos “e receba a sua esperança/ esperança incandescente/ na indecência nuclear”. O enunciador apropria-se da língua para dizer que depois de um longo período mudou o partido, agora o partido que era de esquerda estar no poder, porém, a política desleal ainda persiste, como se apresenta nos seguintes versos “...que liga superfaturamento a financiamento eleitoral...”, “...na Bahia de todos os problemas/ à deriva de gestão oficial”.


A escolha lexical revela toda a revolta do sujeito discursivo acerca da incapacidade do cidadão baiano em reverter essa conjuntura política a qual está inserido, como expõe os versos “O governo agradece a economia, e você esmorece dia a dia”.


Nos trechos “Fique com seu metrinho/ de metrô” a escolha da palavra “metrinho”, já diz muito por si só, metrinho porque é alvo insignificante, pequeno, sem perspectiva finalização, a ironia marca o verso do poema diante da magnitude do projeto da construção de um metrô e seu resultado final tão vergonhoso e humilhante para a população de SSA que até o momento não se indignou, não foi às ruas, não foi à imprensa, está acomodada, como se tudo estivesse bem conduzido. O sujeito discursivo apresenta a passividade deste povo diante de quem detém o poder nas mãos e insiste em negar os direitos dos baianos, ironizando nos desvendados versos interrogativos, “Quer conforto?/ Quer abrigo?/ Quer retiro?”.


Outra problemática na compreensão dos sentidos do que está nas entre linhas do texto é a questão de que SSA tem um lazer de custo elevado, levando em consideração o baixo nível de poder aquisitivo da população, como se refere os versos “corte o cine/ e a navalha em sua carne”, ou seja, sinta na pele o descaso, pois essa cidade é voltada para o turismo, e por isso, nega para o cidadão baiano o direito do entretenimento. Como é ratificado nos versos “Vá de Ivete, o seu ferry/ na baía de todos os problemas” parodiando a frase “Na baía de todos os santos”, lembrando ao alocutário todos os problemas que ele terá de enfrentar caso decida fazer a travessia Salvador X Ilha de Itaparica, principalmente nos feriados prolongados.


Nos trechos “Vá se drogar!!!/ seu baiano.” é preciso acionarmos a nossa memória discursiva, tendo como base a mídia televisiva ou os jornais de grande circulação, acerca dos dados das estatísticas das inúmeras mortes que ocorrem em bairros marginalizados e ou da periferia de Salvador. E indissociável a estas mortes estar o perfil da maioria destes jovens: negros e pobres. Tendo as drogas um elemento crucial desta problemática. Recentemente a campanha contra o craque trouxe o seguinte enunciado “Craque é caixão ou cadeia”, como ratificam os versos da poesia em análise “Depois, vem a sua policia/ e te mata.” Assim, o discurso produzido por esta campanha naturaliza o que não é natural. O jovem não poderá se desvencilhar do submundo das drogas, já esta determinado na materialidade do enunciado que ele morrerá.










Autoria da análise: Nilda Sandes, Paula Sousa e Rosana Santos

Governo blinda Palocci e rejeita investigar denúncia


                                                        A Tarde, Salvador, 17 mai. 2011. Brasil, p.B8

“O governo blinda Palocci e rejeita investigar denúncia”, é o que diz o jornal A TARDE, em 17 de maio de 2011, sobre a decisão do Palácio do Planalto de não investigar a vida financeira do ministro da Casa Civil (Palocci). Não é a toa que os verbos (BLINDAR e REJEITAR) aparecem nesse título.Essa escolha lexical é feita de maneira proposital para indicar de onde falam os sujeitos discursivos sobre este assunto..
Na tentativa de imparcialidade, o autor faz citações e até utiliza dados da Folha de São Paulo. Apesar da tentativa de imparcialidade no texto, o autor deixa sua marca, pois ocupa um lugar na sociedade e como todo sujeito, é descentrado e atravessado pela ideologia, sendo que seus dizeres são tecidos a partir de outros, e deixa em seu enunciado marcas implícitas, com sua argumentatividade e usos lexicais, de sua posição ideológica já que, como diz Bakhtin, “[...] a palavra revela-se, no momento da sua expressão, como produto da interação viva das forças sociais [...]” (Bakhtin, 1986, p 66).
Como dissemos acima, as palavras “BLINDAR” e “REJEITAR” chamam a atenção do leitor, Palocci torna-se intocável no momento em que o governo blinda-o e rejeita que o investiguem, na verdade esse título acaba acusando o governo de proteger o ministro da Casa Civil, deixando- bastante protegido das acusações da mídia.
O verbo rejeitar e contundente, já define a posição do governo, que é a de não aceitar as informações da imprensa e sim, defender seu aliado do governo.


Autoria da análise: Lílian Mota, Renata Rozas, Thamires Nascimento

terça-feira, 14 de junho de 2011

Análise textual à luz da Análise do Discurso

      

O texto verbal “Digaí Negão!” juntamente com a imagem do presidente sorrindo, vem reforçando a posição do sujeito discursivo, que tem como construção de sentido a ideologia do capital e do poder com o negro ocupando tal posição (presidente de uma potência mundial).
Desde a escravidão, o negro é visto como alguém que é incapaz de crescer socialmente, porque não há estudo de qualidade para essa classe, não há trabalho formal, não há saúde básica a, todo momento sofrem preconceitos e ainda não tem nem voz e nem autonomia na sociedade. Hoje, essa realidade melhorou um pouco, mas está longe de termos a classe negra com os mesmos direitos que os brancos.
O outdoor traz uma linguagem informal com intertextualidade explícita. ‘’Digaí Negão” cria uma cumplicidade entre o baiano e o presidente, pela identificação da cor da pele e ao mesmo tempo “Digaí” está relacionado ao “falar” do baiano que utiliza uma variação lingüística geográfica, apresentando uma linguagem informal, juntamente com o aumentativo e exclamação “Negão!”, reforçando a idéia de um “homem forte politicamente ou grande em seu feito de ser negro”. “Digaí Negão!”, ao mesmo tempo implicitamente traz uma idéia de pergunta, “você veio aqui para quê? Vai fazer o quê? Diga a que veio? Querendo saber quais são as intencionalidades de Obama sobre a classe de pessoas negras, inclusive de uma cidade que é a mais negra do país que é Salvador a capital baiana.
A imagem de Obama transparece um ser humano alegre, simples, negro e sem vaidade diante de um cargo tão elevado por ele ocupado.  Obama, é bem vindo à capital baiana com toda a sua simplicidade e é cumprimentado a moda baiana de falar e de ser. O negão, traz a idéia de irmandade, proximidade e afetividade. Também o “ão”  no aumentativo simboliza o poder que ele tem por ocupar o cargo que ocupa. Dentre os não-ditos no texto imagético, percebemos o semblante cordial do presidente e ao mesmo tempo soberano como se dissesse que tranquilamente assume o poder e que nele pode-se confiar, pois ele sabe, porque conseguiu chegar a tal patamar e com orgulho representa seu povo sua raça/etnia de modo de dizer nos não-ditos, “os negros podem! São capazes! 


Texto produzido coletivamente pelo 6º semestre de Letras da UNIME na disciplina Análise do Discurso (AD)
 
Autoras:
Kátia Saraiva
Lílian Mota
Nilda Sandes
Olívia Abreu
Paula Sousa
Renata Rozas
Rosana dos Santos
Taís Barbara
Thamires Nascimento

Outdoor – EMBASA

A campanha publicitária publicada pela empresa de Saneamento Básico da Bahia – EMBASA, juntamente com o governo da Bahia, apresenta um discurso de orientação social.  A mensagem traz como cenário o local mais frequentado pelos jovens durante o verão: a praia, o que permitiu o esclarecimento de que esse desperdício aumenta ainda mais nesta época do ano.
Com uma ideologia política e mercadológica, o discurso não apresenta de forma explícita os interesses das instituições divulgadoras. Através dessas ações, o governo do Estado agrega prestígio, pois, adota uma postura em defesa de uma ação de sustentabilidade ambiental, a empresa EMBASA também trabalha a sua imagem diante da comunidade, defendendo uma postura social responsável, além de gerar lucros, já que  a conscientização dos seus consumidores vai otimizar seus recursos.
O texto apresenta escolhas lexicais tiradas do contexto baiano “ó você errada”, cuja, expressão comumente empregada na região, denota proximidade ao interlocutor.  A postura da garota propaganda – na praia de biquíni, distraída em uma conversa no celular, ignorando completamente o fato de o chuveiro está ligado – é colocada como uma postura não correta, descomprometida e irresponsável, típica de um consumidor não crítico.
O objeto provocador do desvio da atenção da personagem, embora não esteja atrelada ao mau uso da água, se encaixa de maneira funcional no discurso. A memória discursiva é imediatamente acionada, pois lembramos a associação negativa do uso do celular combinado com outras atividades como, por exemplo, na direção de um veículo que é constantemente reprimida ou o uso indevido no trabalho, também julgado incorreto. Os implícitos nesse discurso revelam que esses hábitos são mais praticados por jovens. Pois, está presente na ideologia do discurso, o comportamento descompromissado com as causas ambientais, tendo em vista que o jovem de hoje tem cada vez menos em contato com a natureza.

Autoria da análise: Kátia Saraiva, Olívia Abreu, Taís de Jesus