terça-feira, 21 de junho de 2011

Outdoor – Propaganda da UNIMED





A publicidade apresenta um discurso mercadológico, com fins comerciais, o produto é vendido de forma sutil. Os benefícios são colocados de forma a serem mais percebidos e valorizados. As escolhas lexicais “cobertura” “você” e “precisa” são destacados enquanto as informações sobre os serviços, apresentados à esquerda inferior da propaganda, são apresentadas de forma discreta.


O outdoor analisado apresenta uma propaganda comercial do plano de saúde UNIMED. Observamos a mensagem destacada no texto escrito “cobertura que você precisa”, demonstra que só o plano de saúde Unimed oferece. Os aspectos não ditos, como o fundo do papel que traz a imagem de uma parede de bloco remetendo ao público uma mensagem de amparo, alicerce ou a proteção que o plano diz oferecer, quesitos, estes, bastante relevantes durante a escolha de um plano de saúde. Podemos perceber a polifonia na combinação das escolhas lexicais, os símbolos da marca e outros elementos percebidos no texto imagético - palavra “cobertura”, a imagem da garota propaganda com uma aparência saudável e segurando um guarda-chuva de cor verde, simbolizando a esperança, a abundância e ao fundo o desenho de uma parede que nos permite não só a interpretação de um plano que oferece apoio e proteção, mas também a sensação de que você se sente seguro como na sua casa. O próprio símbolo da UNIMED nos lembra um telhado ou a forma de uma casa.


Através das leituras dos não ditos percebe-se a sutileza com que a marca vende o seu produto. Há uma inversão nos papéis na relação comercial entre vendedor e consumidor. “O consumidor é quem “precisa”, esta palavra aí empregada de forma estratégica, denota um sentido impositivo, materializado: “você precisa”, colocando a marca UNIMED como a opção mais inteligente. A ideologia dos clientes, conclui-se em que ele precisa de prevenção e segurança, características que só com o plano UNIMED, ele tem.






Autoria da análise: Kátia Saraiva, Olívia Abreu, Taís de Jesus

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Tome a Bahia na sua cara






Tome a Bahia pela cara seu nativo!
no umbigo.

Seu atrevido...
Quer conforto?
Quer abrigo?
Quer retiro?

Tome o PT “pelos peito”
e receba a sua esperança
esperança incandescente
na indecência nuclear

Fique com o seu Luís Eduardo
o herói Magalhães
para sempre.
Fique com seu metrinho
de metrô
que liga superfaturamento
a financiamento eleitoral.
Vá de Ivete, o seu ferry
na baía de todos os problemas,
à deriva de gestão oficial.
Receba o seu corte de gastos
no caixa
do supermercado.

Corte o cine,
e a navalha em sua carne.
Corte o álcool,
corte o leite
e vá se drogar.

Vá se drogar!!!
seu baiano.
Passa a fome
você não come
e nem aciona a descarga.
O governo agradece a economia,
e você esmorece dia a dia.
Depois, vem sua polícia
e te mata.

Autoria : Joselito Manoel.
(Poema postado no  blog http://wwwtecendofioscomjo.blogspot.com/, em Sexta-feira 22 de Abril 2011)




A poesia “Tome a Bahia em sua cara” embora tenha um caráter de subjetividade, pois todo texto traz o estilo e percepção do autor, também, apresenta de forma objetiva sua análise sobre a cidade de Salvador. O jogo armado pelas palavras é bastante objetivo, porém, o discurso é extremamente marcado pela ironia do “eu” enunciador para o “tu”, ou seja, a quem se destina o que foi produzido pelo sujeito discursivo. Tal ironia é materializada no enunciado do verso imperativo “Tome a Bahia pela cara seu nativo!”, e para dar sentido aos não-ditos deste enunciado, faz-se necessário questionar-se: essa é a Bahia de todos nós? É a Bahia que nós queremos?


A poesia tem como temática o panorama da política baiana e indissociável a historicidade desta política os desmandos e descasos dos políticos que fazem parte desta esfera em diferentes governos da Bahia, como se referem os trechos “Tome o PT pelos peito’, “Fique com seu Luís Eduardo o herói Magalhães”, nesse último trecho o alocutário terá que acionar a sua memória discursiva, para rememorar toda a história política que envolve a família Magalhães, para que assim possa construir o sentido embutido,ou seja, implícito neste verso, acerca do poder político que esta família exerceu e ainda exerce no nosso estado. Desde o grande chefe ACM até o neto ACM Neto.Tal poder associado á política Carlista. Na qual, ACM mandava e desmandava na Bahia chegando ao absurdo de modificar o nome do Aeroporto Internacional 2 de Julho para Aeroporto Internacional Luís Eduardo Magalhães, desconsiderando a historicidade local em detrimento da eternização e valorização da imagem do seu filho morto, como afirmam os versos “ o herói Magalhães/ para sempre”


O verso citado anteriormente “Tome o PT pelos peito/” o sujeito discursivo no momento da enunciação, ou seja, no momento da fala utiliza elementos lingüísticos para dizer além dos não-ditos, esse é o PT que tanto nós queríamos? Um partido que tem por ideologia lutar pelas desigualdades sociais, favorecendo assim, melhores condições de vida para o povo. Isto realmente estar acontecendo? A população colocou este partido no poder depositando uma grande expectativa acerca de profundas mudanças no estado da Bahia, na esperança por dias melhores, como citam os versos “e receba a sua esperança/ esperança incandescente/ na indecência nuclear”. O enunciador apropria-se da língua para dizer que depois de um longo período mudou o partido, agora o partido que era de esquerda estar no poder, porém, a política desleal ainda persiste, como se apresenta nos seguintes versos “...que liga superfaturamento a financiamento eleitoral...”, “...na Bahia de todos os problemas/ à deriva de gestão oficial”.


A escolha lexical revela toda a revolta do sujeito discursivo acerca da incapacidade do cidadão baiano em reverter essa conjuntura política a qual está inserido, como expõe os versos “O governo agradece a economia, e você esmorece dia a dia”.


Nos trechos “Fique com seu metrinho/ de metrô” a escolha da palavra “metrinho”, já diz muito por si só, metrinho porque é alvo insignificante, pequeno, sem perspectiva finalização, a ironia marca o verso do poema diante da magnitude do projeto da construção de um metrô e seu resultado final tão vergonhoso e humilhante para a população de SSA que até o momento não se indignou, não foi às ruas, não foi à imprensa, está acomodada, como se tudo estivesse bem conduzido. O sujeito discursivo apresenta a passividade deste povo diante de quem detém o poder nas mãos e insiste em negar os direitos dos baianos, ironizando nos desvendados versos interrogativos, “Quer conforto?/ Quer abrigo?/ Quer retiro?”.


Outra problemática na compreensão dos sentidos do que está nas entre linhas do texto é a questão de que SSA tem um lazer de custo elevado, levando em consideração o baixo nível de poder aquisitivo da população, como se refere os versos “corte o cine/ e a navalha em sua carne”, ou seja, sinta na pele o descaso, pois essa cidade é voltada para o turismo, e por isso, nega para o cidadão baiano o direito do entretenimento. Como é ratificado nos versos “Vá de Ivete, o seu ferry/ na baía de todos os problemas” parodiando a frase “Na baía de todos os santos”, lembrando ao alocutário todos os problemas que ele terá de enfrentar caso decida fazer a travessia Salvador X Ilha de Itaparica, principalmente nos feriados prolongados.


Nos trechos “Vá se drogar!!!/ seu baiano.” é preciso acionarmos a nossa memória discursiva, tendo como base a mídia televisiva ou os jornais de grande circulação, acerca dos dados das estatísticas das inúmeras mortes que ocorrem em bairros marginalizados e ou da periferia de Salvador. E indissociável a estas mortes estar o perfil da maioria destes jovens: negros e pobres. Tendo as drogas um elemento crucial desta problemática. Recentemente a campanha contra o craque trouxe o seguinte enunciado “Craque é caixão ou cadeia”, como ratificam os versos da poesia em análise “Depois, vem a sua policia/ e te mata.” Assim, o discurso produzido por esta campanha naturaliza o que não é natural. O jovem não poderá se desvencilhar do submundo das drogas, já esta determinado na materialidade do enunciado que ele morrerá.










Autoria da análise: Nilda Sandes, Paula Sousa e Rosana Santos

Governo blinda Palocci e rejeita investigar denúncia


                                                        A Tarde, Salvador, 17 mai. 2011. Brasil, p.B8

“O governo blinda Palocci e rejeita investigar denúncia”, é o que diz o jornal A TARDE, em 17 de maio de 2011, sobre a decisão do Palácio do Planalto de não investigar a vida financeira do ministro da Casa Civil (Palocci). Não é a toa que os verbos (BLINDAR e REJEITAR) aparecem nesse título.Essa escolha lexical é feita de maneira proposital para indicar de onde falam os sujeitos discursivos sobre este assunto..
Na tentativa de imparcialidade, o autor faz citações e até utiliza dados da Folha de São Paulo. Apesar da tentativa de imparcialidade no texto, o autor deixa sua marca, pois ocupa um lugar na sociedade e como todo sujeito, é descentrado e atravessado pela ideologia, sendo que seus dizeres são tecidos a partir de outros, e deixa em seu enunciado marcas implícitas, com sua argumentatividade e usos lexicais, de sua posição ideológica já que, como diz Bakhtin, “[...] a palavra revela-se, no momento da sua expressão, como produto da interação viva das forças sociais [...]” (Bakhtin, 1986, p 66).
Como dissemos acima, as palavras “BLINDAR” e “REJEITAR” chamam a atenção do leitor, Palocci torna-se intocável no momento em que o governo blinda-o e rejeita que o investiguem, na verdade esse título acaba acusando o governo de proteger o ministro da Casa Civil, deixando- bastante protegido das acusações da mídia.
O verbo rejeitar e contundente, já define a posição do governo, que é a de não aceitar as informações da imprensa e sim, defender seu aliado do governo.


Autoria da análise: Lílian Mota, Renata Rozas, Thamires Nascimento

terça-feira, 14 de junho de 2011

Análise textual à luz da Análise do Discurso

      

O texto verbal “Digaí Negão!” juntamente com a imagem do presidente sorrindo, vem reforçando a posição do sujeito discursivo, que tem como construção de sentido a ideologia do capital e do poder com o negro ocupando tal posição (presidente de uma potência mundial).
Desde a escravidão, o negro é visto como alguém que é incapaz de crescer socialmente, porque não há estudo de qualidade para essa classe, não há trabalho formal, não há saúde básica a, todo momento sofrem preconceitos e ainda não tem nem voz e nem autonomia na sociedade. Hoje, essa realidade melhorou um pouco, mas está longe de termos a classe negra com os mesmos direitos que os brancos.
O outdoor traz uma linguagem informal com intertextualidade explícita. ‘’Digaí Negão” cria uma cumplicidade entre o baiano e o presidente, pela identificação da cor da pele e ao mesmo tempo “Digaí” está relacionado ao “falar” do baiano que utiliza uma variação lingüística geográfica, apresentando uma linguagem informal, juntamente com o aumentativo e exclamação “Negão!”, reforçando a idéia de um “homem forte politicamente ou grande em seu feito de ser negro”. “Digaí Negão!”, ao mesmo tempo implicitamente traz uma idéia de pergunta, “você veio aqui para quê? Vai fazer o quê? Diga a que veio? Querendo saber quais são as intencionalidades de Obama sobre a classe de pessoas negras, inclusive de uma cidade que é a mais negra do país que é Salvador a capital baiana.
A imagem de Obama transparece um ser humano alegre, simples, negro e sem vaidade diante de um cargo tão elevado por ele ocupado.  Obama, é bem vindo à capital baiana com toda a sua simplicidade e é cumprimentado a moda baiana de falar e de ser. O negão, traz a idéia de irmandade, proximidade e afetividade. Também o “ão”  no aumentativo simboliza o poder que ele tem por ocupar o cargo que ocupa. Dentre os não-ditos no texto imagético, percebemos o semblante cordial do presidente e ao mesmo tempo soberano como se dissesse que tranquilamente assume o poder e que nele pode-se confiar, pois ele sabe, porque conseguiu chegar a tal patamar e com orgulho representa seu povo sua raça/etnia de modo de dizer nos não-ditos, “os negros podem! São capazes! 


Texto produzido coletivamente pelo 6º semestre de Letras da UNIME na disciplina Análise do Discurso (AD)
 
Autoras:
Kátia Saraiva
Lílian Mota
Nilda Sandes
Olívia Abreu
Paula Sousa
Renata Rozas
Rosana dos Santos
Taís Barbara
Thamires Nascimento

Outdoor – EMBASA

A campanha publicitária publicada pela empresa de Saneamento Básico da Bahia – EMBASA, juntamente com o governo da Bahia, apresenta um discurso de orientação social.  A mensagem traz como cenário o local mais frequentado pelos jovens durante o verão: a praia, o que permitiu o esclarecimento de que esse desperdício aumenta ainda mais nesta época do ano.
Com uma ideologia política e mercadológica, o discurso não apresenta de forma explícita os interesses das instituições divulgadoras. Através dessas ações, o governo do Estado agrega prestígio, pois, adota uma postura em defesa de uma ação de sustentabilidade ambiental, a empresa EMBASA também trabalha a sua imagem diante da comunidade, defendendo uma postura social responsável, além de gerar lucros, já que  a conscientização dos seus consumidores vai otimizar seus recursos.
O texto apresenta escolhas lexicais tiradas do contexto baiano “ó você errada”, cuja, expressão comumente empregada na região, denota proximidade ao interlocutor.  A postura da garota propaganda – na praia de biquíni, distraída em uma conversa no celular, ignorando completamente o fato de o chuveiro está ligado – é colocada como uma postura não correta, descomprometida e irresponsável, típica de um consumidor não crítico.
O objeto provocador do desvio da atenção da personagem, embora não esteja atrelada ao mau uso da água, se encaixa de maneira funcional no discurso. A memória discursiva é imediatamente acionada, pois lembramos a associação negativa do uso do celular combinado com outras atividades como, por exemplo, na direção de um veículo que é constantemente reprimida ou o uso indevido no trabalho, também julgado incorreto. Os implícitos nesse discurso revelam que esses hábitos são mais praticados por jovens. Pois, está presente na ideologia do discurso, o comportamento descompromissado com as causas ambientais, tendo em vista que o jovem de hoje tem cada vez menos em contato com a natureza.

Autoria da análise: Kátia Saraiva, Olívia Abreu, Taís de Jesus